Cap. 2 Eu sou Cassandra

Cap. 2 Eu sou Cassandra

Apesar da introdução caótica, neste capítulo serei mais organizado. Para começar o mundo está um caos, parece que um vírus surgido de um morcego ou de um pangolim se adaptou e agora está causando uma pandemia. Um ano se passou, mas apesar dos esforços e das vacinas impressionantemente rápidas, não há esperança para um futuro próximo. Claro que os mais ingênuos acreditam que a pandemia acaba esse ano, os mais estúpidos creem que ela já acabou, e os desgraçadamente estúpidos nem se quer acreditam nela, eu não entendo bem também, parece que o vírus foi criado pela China como uma arma, porém o vírus não é tão letal quanto dizem... Ah esses negacionistas...

 Como eu não faltei minhas aulas de biologia e sempre fui um bom aluno, sei que a verdade é bem difícil de engolir. A pandemia deve acabar no mundo por volta de 2024 ou 2025, como o Brasil e a Índia são ameaças sanitárias, somos responsáveis por prolongar esse sofrimento.

Em todo caso, cá estou, terminando abril de 2021, completamente sozinho, terminei um namoro de 4 anos em 2020, perdi contato com a maioria dos seres humanos que eu tinha algum contato e creio, já faz algumas semanas, que também perdi meus amigos da Cachorrada.... Em todo caso, até em minha própria casa, com meu irmão e minha mãe eu me sinto só.

Tenho feito as refeições completamente sozinho, ou comem antes ou depois de mim, eles conversam entre si e o fato de eu tentar me introduzir da conversa parece ser algo mais absurdo possível, como se eu fosse um completo estranho.  Me sinto estranho em minha casa.

Tão só quanto um neurônio de um terraplanista, não sei o que fazer para me socializar, na verdade, apesar de eu perceber essa solidão crescendo, estou aprendendo a transformá-la em solitude. Na maioria das vezes dá certo, mas quando não, tenho que engolir o choro, nem fumar um cigarro eu posso, pois decidi abandonar esse hábito, e como estou me transformando novamente em outro ser, parece que este novo ser não curte cigarros quanto o meu anterior.

Todavia, não tenho namorada, não tenho amigos, não tenho familiares, conversar com alguém me passa a sensação de ser um incomodo a eles, especialmente ao meu amigo Biel. Sou grato pela nossa amizade e por tudo que você fez por mim, mas novamente eu estava certo e vocês errado, todos meus amigos são trocados seguidamente por outros, e por outros, e por outros... Num ciclo interminável. Mas dessa vez foi diferente, minhas amizades duravam três anos, fiquei na cachorrada por uns quatro, se fizer um esforço, posso ter chegado a cinco ou seis. Eu realmente pensei que meus amigos de faculdade ficariam comigo por toda minha vida.

Bem, talvez no asilo eu seja mais sociável. A cada ciclo de amizades eu vou me transformando em alguém melhor, parece que as amizades então não fazem mais sentido e no fim, um novo ciclo começa. um novo ciclo onde estou completamente sozinho e tenho que recomeçar tudo de novo. É exaustivo...

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